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Otávio Roth

Nasceu em São Paulo a 20 de outubro de 1952.

Cursa o primeiro ano da Escola de Engenharia Mauá em 1970, viajando em seguida para Jerusalém com uma bolsa de estudos do governo israelense. Durante aquele ano conhece o artista plástico Márcio Doctors que o inicia na carreira artística. Ao voltar em 72, abandona o curso de Engenharia e ingressa na Escola Superior de Propaganda. Faz também sua primeira exposição de fotografias no GRIFE em julho. Nos anos seguintes, participa de várias exposições: “O fotógrafo desconhecido”, no Museu de Arte Contemporânea de São Paulo; a Bienal de Artes Plásticas e o Salão CCBEU, em Santos; e “7 jovens artistas” na Galeria Eucatexpo em São Paulo e Curitiba.

Em março de 1974, parte para Londres, permanecendo ali até graduar-se em Art and Design pela Hornsey College of Art. Estuda gavura com Paul Pitch, de quem recebe profunda influência. Ao terminar os estudos, muda-se para a Noruega, onde trabalha por dois anos como designer na firma Anisdah/Christensen de Oslo. Durante os longos invernos escandinavos, Otávio realiza uma série de gravuras baseada nos artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Surge o interesse por papel feito a mão e inicia as primeiras pesquisas. Os originais dos Direitos Humanos são expostos no Informasjonsenteret em dezembro de 78 para comemorar o 30º aniversário da Declaração. A seguir, a mostra é levada pra o Pallais de Chaillot em Paris. A convite da Editora CJS Graphics, Otávio vai a Nova Iorque acompanhar a publicação de seu trabalho, distribuído internacionalmente por várias organizações de defesa dos direitos humanos.

Volta ao Brasil em 1979 e funda a Handmade Oficina de Papel, a primeira fábrica de papel artesanal do país. Em dezembro do mesmo ano, expõe suas gravuras sobre papel feito a mão no Instituto dos Arquitetos do Brasil. Pela pesquisa realizada, recebe o prêmio de melhor gravador do ano, concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte.

Participa da Mostra de Arte Erótica na Galeria Arte Aplicada, da Mostra de Escultura Lúdica no Museu de Arte de São Paulo e da exposição dos melhores do ano no Macksoud Plaza e na Fundação das Artes de São Caetano, juntamente Tomie Ohtake, Maria Bonomi e Ivald Granato. Como artista convidado do Museu de Arte Moderna de São Paulo, expõem no Panorama de Arte Brasileira em 1980. Em seguida, retorna a Nova Iorque.

Visita fabricantes de papel artesanal em todo país e trabalha na Dieu Donne Press and Paper com Joe Wilfer. Ministra curso de 6 semanas sobre fabricação de papel a mão no Center for The Book Arts, e Manhattan. Expõem individualmente na Automation House em Nova Iorque, e é capa da revista “Print News”, publicada em São Francisco pelo World Print Council.

O então secretário geral da ONU, Sr. Kurt Waldheim, oferece a sede da organização para exposição de suas gravuras sobre os direitos humanos. A exposição é aberta simultaneamente no dia 10 de dezembro na sede da ONU em Nova Iorque, no Pallais des Nations em Genebra e no International Center em Viena. Pelo sucesso obtido, a ONU adquire todos os direitos para seu acervo em exposição permanente nas três sedes. A World Federation of United Nations Associations escolhe Otávio para realizar as gravuras da edição comemorativa de selos sobre Preservação da Natureza, a serem lançadas em novembro de 1982. Concomitantemente, uma edição de 1.000 gravuras sobre papel feito a mão com pétalas de flores, e encomendada pela organização, será distribuída internacionalmente.

Retorna a São Paulo em maio para montar a presente exposição “Criando papéis”, a convite do Prof. P. M. Bardi no Museu de Arte de São Paulo. A Funarte oferece o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro para acolher a mesma exposição. Atualmente, Otávio Roth desenvolve suas pesquisas sobre papel artesanal para fins artísticos no Instituto de Pesquisas Tecnológicas da USP, com uma bolsa do PNPq, e prepara o livro “O que é papel” para a Editora Brasiliense de São Paulo.

Otávio Roth é membro da Associação Internacional dos Historiadores do Papel, da Basiléia, e professor convidado do Center for the Book Arts de Nova Iorque.

Do livro Criando Papéis: o processo artesanal como linguagem, de Otávio Roth - julho de 1982.

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